17 JUN 21h30 | Igreja Matriz da Madalena do Pico
19 JUN 21h30 | Biblioteca Municipal da Graciosa

Recital de GUITARRA

Rafael Aguirre, guitarra

 

 

Programa

 

I
Joaquín Turina

Sonata em Ré Menor, op. 61
Allegro
Andante
Allegro vivo

 

Francisco Tárrega
Gran Jota Aragonesa

 

Joaquín Rodrigo
Toccata

 

Mauro Giuliani
Rossiniana V, op. 123

I. Introduction (Allegro com brio)
II. «E tu quando tornerai», Andantino mosso (de Tancrède)
III. «Una voce poco fa» (de Le Barbier de Séville)
IV. «Questo è un nodo avviluppato», Andante sostenuto (de Cendrillon)
V. «Là seduto l'amato Gianneto», Allegro (de La pie voleuse)
VI. «Zitti zitti, piano piano», Allegro (de Le Barbier de Séville)


 

II
Antón García-Abril

Evocación n.° 2

 

Antonio Lauro
Seis por derecho

 

Francisco Tárrega
Variaciones sobre El Carnaval de Venecia de Paganini

 

Rafael Aguirre

 

RAFAEL AGUIRRE

Nascido em Málaga, iniciou os estudos musicais aos 7 anos de idade, havendo-os concluído no Conservatório daquela cidade com as mais elevadas classificações. Com 16 anos fez a sua estreia com orquestra, tocando o Concierto de Aranjuez acompanhado pela Orquestra Filarmónica das Juventudes de Málaga numa tournée que incluiu várias cidades de Espanha e de Marrocos. Seguidamente aperfeiçoou os seus conhecimentos junto de Joaquín Clerch na Escola Superior de Música «Robert Schumann» de Düsseldorf. Depois de ter sido o mais jovem vencedor do Concurso Internacional «Julián Arcas» e o único guitarrista vencedor do Concurso «Schmolz-Bickenbach», Rafael Aguirre conseguiu ganhar num só ano (2007) nada menos de cinco medalhas de ouro nos principais concursos de guitarra, nomeadamente no Concurso «Francisco Tárrega» e no Concurso «Princesa Christina». Na qualidade de concertista internacional, já teve ocasião de se dar a ouvir, para além do seu país, na Áustria, Alemanha, Itália, França, EUA, Holanda, Síria, Portugal, Eslovénia, Rússia e Chile, e nos prestigiados festivais internacionais de Granada e do Niederrhein na Alemanha. Entre os auditórios em que se tem apresentado contam-se a Sala «Tchaikovski» em Moscovo, a Tonhalle de Düsseldorf e o Teatro «Manuel de Falla» em Espanha. Das orquestras com que tocou destacam-se a Orquestra da Extremadura, a Orquestra Filarmónica de Málaga, a Orquestra do Teatro de Plauen, a Nova Filarmonia da Vestefália, a Orquestra Nacional da Síria e a Jovem Orquestra da Andaluzia. Para além de gravações efectuadas para cadeias de rádio e de televisão, tem dois CDs registados na etiqueta Naxos. Residente em Düsseldorf, Rafael Aguirre é actualmente professor do seu instrumento na Escola Superior de Música «Robert Schumann».

 

 

A guitarra foi um instrumento que desde sempre gozou de popularidade. A razão deve-se à facilidade com que permite fazer um acompanhamento simples para acompanhar a canção. A sua história remonta ao Renascimento, quando apenas possuía quatro cordas e a sua configuração divergia da dos tempos actuais. Da família dos alaúdes, o seu corpo não tinha as curvaturas laterais tão pronunciadas, o tampo traseiro era recurvado e, no local do orifício circular que tem hoje, apresentava uma rosácea semelhante à dos alaúdes. No final do século XV apresentava cinco cordas e, a partir de meados do século XVIII, passou a ter seis cordas. O formato que levou à guitarra moderna só se estabeleceu, contudo, no começo do século XIX. A prática da guitarra e de instrumentos seus derivados na Península Ibérica fez com que fosse transportada com os portugueses pelo mundo, dando origem a variantes que se enraizaram na cultura popular em vários continentes como o ukelele no Hawai, ou o kroncong na parte ocidental da ilha de Java. Por sua vez os espanhóis levaram-na para vários países da América Central e do Sul dando origem a outras variantes como a guitarrilla na Bolívia, na Guatemala e no Peru e a jarana no México. A facilidade na sua execução fez com que algum do seu repertório tivesse um carácter popular, quer no acompanhamento de canções quer de danças. De forma mais esporádica, compositores como Boccherini, Schubert e Berlioz escreveram para este instrumento e Weber e Paganini, ambos guitarristas, também lhe dedicaram várias obras. O virtuosismo que dominou o século XIX, apesar da supremacia do piano sobre todos os outros instrumentos na época, levou ao aparecimento de guitarristas lendários como Fernando Sor, Mauro Giuliani, entre outros. Com o século XX dá-se a grande expansão da guitarra, devido à consagração de figuras como Andrés Segovia, Francisco Tárrega ou Narciso Yepes e ao interesse dos compositores pelo instrumento que o levaram à sala de concertos com um protagonismo semelhante ao do piano ou ao do violino.
A sonata em ré menor op. 61, de 1931, do compositor espanhol Joaquín Turina (1882-1949) é uma obra onde o autor explora plenamente as sonoridades do instrumento e uma das mais ambiciosas de um compositor espanhol nesta época. Nela, Turina não se deixa seduzir pelo nacionalismo tão em voga neste período, antes lhe confere uma feição modernista.
O facto de na época de Francisco Tárrega (1852-1909) o repertório para guitarra não ser muito extenso, levou o músico a fazer muitas transcrições de obras pianísticas para a guitarra e a procurar nas danças populares espanholas a inspiração para algumas das suas composições. É o caso da peça Gran Jota, inspirada na dança do mesmo nome, originária do norte de Espanha, na qual o músico explora virtuosisticamente os recursos técnicos do instrumento. No Carnaval de Veneza o compositor baseou-se na obra de Paganini, a partir da qual compôs uma série de variações de carácter virtuosístico. O tema tornou-se bem conhecido dos portugueses através da popular canção O meu chapéu tem três bicos. A Francisco Tárrega se deveu o impulso de uma nova escola de guitarristas espanhóis, a qual pôs fim ao interregno por que a composição para guitarra em Espanha passava.
A Toccata de Joaquín Rodrigo (1901-1999), obra de 1933 só há pouco tempo descoberta, é uma peça cujo estilo livre e virtuosístico deriva do género musical que lhe deu origem, revestida pelo compositor de uma linguagem neo-clássica em voga no período entre-guerras.
Mauro Giuliani (1781-1829) foi o mais famoso guitarrista do seu tempo e, como compositor, deixou um vasto repertório para guitarra, desde peças fáceis para o instrumento, para consumo doméstico, até obras de grande dimensão para a sala de concertos. Rossiniana V faz parte de um conjunto de peças baseadas em temas de obras de Rossini. Nesta obra, após uma breve Introdução ouvir-se-ão temas das óperas Tancredi, Il Barbiere di Siviglia, Cenerentola, La Gazza Ladra e, novamente, de Il Barbiere di Siviglia.
Anton García-Abril é um compositor espanhol nascido em 1933 com obras para vários géneros que incluem música para teatro, televisão e cinema, com as quais ganhou alguns prémios. A suite para guitarra Evocaciones, de 1981, da qual se ouvirá apenas uma parte, a segunda, foi escrita em homenagem a Andrés Segovia. Trata-se de um conjunto de cinco obras intimistas que prestam homenagem, sucessivamente, aos poetas Salvador de Madariaga, Federico García Lorca, Juan Ramón Jiménez, Antonio Machado e Miguel de Unamuno. O carácter expressivo da obra, com a qual ganhou o Concurso Andrés Segovia, faz-se particularmente notar na Evocação n.º 2, sob o tema La guitarra, hace llorar a los sueños.
Antonio Lauro (1917-1986), guitarrista e compositor venezuelano, ganhou fama internacional pelo repertório escrito para a guitarra. A peça Seis por derecho, que tem como sub-título "ao estilo da harpa venezuelana", é inspirada no joropo, dança popular venezuelana, característica pelo seu ritmo vivo e complexo.

Maria José Artiaga

 

Direcção Regional da Cultura - Açores
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