10 JUL 21h30 | S. MIGUEL | Igreja do Rosário da Lagoa

 

Recital de ÓRGÃO E VIOLINO

Isabel Albergaria, órgão

Grigori Spektor, violino

 

 

Programa

 

Georg Friedrich Haendel
Largo

 

Felix Mendelssohn-Bartholdy
Finale (da Sonata VI, op. 65)

 

Josef Gabriel Rheinberger
Tema e Variações, op. 150 n.º 1
Abendlied, op. 150 n. º 2
Elegie, op. 150 n. º 5

 

Robert Schumann
Skizze n.º 1 (dos 4 Skizzen für den Pedal-Flügel, op. 58)

 

Charles Gounod
Méditation sur le 1.er Prélude de Piano de J. S. Bach

 

Pietro Mascagni
Intermezzo

 

Johann Sebastian Bach
Andante (do Concerto n.º 1, em Lá Menor, BWV 1041)

 

Edward Elgar
Salut d'Amour, op. 12

 

 

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ISABEL ALBERGARIA
Nasceu em 1979, na Ribeira Grande, onde iniciou os seus estudos musicais. Estudou Órgão sob as orientações de Ana Paula Andrade, Rui Paiva e João Vaz, em cuja classe, na Escola Superior de Música de Lisboa, concluiu o respectivo curso. Paralelamente, terminou na Universidade Nova de Lisboa a licenciatura em Ciências Musicais e o mestrado em Musicologia Histórica, sob a orientação de Luísa Cymbron. Frequentou masterclasses orientadas por Luigi Ferdinando Tagliavini, Daniel Roth, Kristian Olesen, Joris Verdin e Andreas Liebig. Apresentou-se no I Festival de Órgão de Tubos de São Miguel, na integral de Olivier Messiaen, na Sé de Lisboa e na temporada MusicAtlântico. No passado dia 15 de Maio participou no concerto inaugural dos seis órgãos da Basílica do Palácio Nacional de Mafra, em colaboração com os organistas João Vaz, Rui Paiva, António Duarte, António Esteireiro e Sérgio Silva. É professora de Órgão e de Acústica Musical no Conservatório Regional de Ponta Delgada e titular do órgão histórico da Igreja de São José da mesma cidade.

 

GRIGORI SPEKTOR
Nasceu em Kiev, na Ucrânia, em 1949. Aos 5 anos de idade iniciou os estudos do Violino, após o que se aperfeiçoou na Escola Especial de Altos Estudos Musicais da sua cidade natal, sob a orientação de Alexei Pelic. Em 1967, diplomou-se com distinção. Seguidamente, matriculou-se no Conservatório Internacional Estatal de Kiev «P. I. Tchaikovski», na classe de Olga Parkhomenko, havendo-se diplomado brilhantemente em 1972. Na qualidade de instrumentista da Orquestra de Câmara da Filarmonia de Kiev, actividade que iniciou em 1970, participou em mais de mil concertos, quer integrado naquela formação, quer como solista. Desde que reside em São Miguel tem desenvolvido intensa actividade artística, contando com participações, a solo, em todas as temporadas da DRaC e em todas as ilhas do Arquipélago. Também já se deu a ouvir no Continente, nomeadamente em Leiria, e, no estrangeiro, no Brasil, no Canadá e nos EUA. De 1989 a 1992 Grigori Spektor ensinou Violino no Colégio Superior de Música «Reinhold Glière», em Kiev, e, desde 1992, é professor daquele instrumento no Conservatório Regional de Ponta Delgada.

 

Georg Friedrich Haendel (1685-1759) | Largo

A peça que se vai ouvir é um arranjo da ária "Ombra mai fù" da ópera Xerxes de Haendel. Na época em que foi escrita, a ópera foi um falhanço comercial. No século XIX, contudo, esta ária foi recuperada e objecto de vários arranjos quer para voz quer para diversos instrumentos.

 

Felix Mendelssohn-Bartholdy (1809-1847) | Finale (da Sonata VI, op. 65)

Félix Mendelssohn-Bartholdy, neto do filósofo iluminista alemão Moses Mendelssohn, foi pianista, organista, maestro, compositor e uma das figuras centrais do romantismo alemão. O seu estilo, definido desde muito cedo, reflecte a tensão musical vivida após a morte de Beethoven, ou a passagem de uma linguagem clássica para uma linguagem romântica. Com uma formação musical profundamente ancorada nas técnicas de composição dos mestres setecentistas e, em particular, em Bach e Haendel, Mendelssohn manifestou uma profunda admiração pelo passado musical não só no domínio da técnica do contraponto como na divulgação da música de Bach em concertos históricos. As seis sonatas para órgão op. 65, escritas em 1845, de que se ouvirá o Finale da sexta, são uma síntese da música de Bach, uma espécie de homenagem onde Mendelssohn reflecte todo o respeito e admiração pelo compositor de Leipzig, em particular no coral com que termina a obra.

 

Josef Gabriel Rheinberger (1839-1901) | Tema e Variações, op. 150 n.º 1

Organista, professor e compositor, nasceu em Vaduz no Liechtenstein onde se apresentou como organista aos sete anos. Leccionou órgão e composição no Conservatório de Munique e deixou uma obra prolífica em numerosos géneros musicais, constituindo as suas composições para órgão o seu legado mais conhecido. As peças que se vão ouvir fazem parte de um conjunto de seis para órgão e violino e revelam o talento do compositor na construção de longas melodias expressivas.

 

Robert Schumann (1810-1856) | Skizze, op. 58 n.º 1

Esta obra de Robert Schumann foi escrita em 1845 para um instrumento que caiu em desuso no final do século XIX. Tratava-se de um instrumento misto, um piano com pedaleira, tal como no orgão e era utilizado pelos organistas para estudar em casa. Esse acessório permitia ouvir as notas do registo grave quando os pés acionavam a pedaleira. Schumann sentiu-se atraído pela variedade tímbrica que o instrumento proporcionava assim como por uma certa grandeza da sua sonoridade, tendo-lhe dedicado estas peças e os seis estudos op. 56. O Esquisso n.º 1, construído sobre uma forma ternária, tira partido de uma escrita harmónica homorrítmica que contrasta com uma secção em piano numa escrita em que os acordes são apoiados por uma linha melódica em staccatto no baixo. O ritmo, criando uma desacentuação do tempo forte, é o elemento destabilizador desta pequena peça.

 

Charles Gounod (1818-1893) | Méditation sur le 1.er Prélude de Piano de J. S. Bach

Esta peça, composta sobre o primeiro prelúdio do Cravo Bem Temperado de Bach, foi das obras mais tocadas durante todo o século XIX prolongando-se pelo século seguinte em numerosíssimos arranjos instrumentais. Parece ter tido origem numa improvisação realizada pelo compositor num serão privado, por volta de 1852, e ter sido depois anotada pelo sogro, conhecido professor de piano no Conservatório de Paris. Gounod adaptou-lhe, em 1853, os versos de Lamartine, retirados da obra Le livre de la vie est le livre suprême, e arranjou-a para piano, violino solo (órgão ad libitum) e coro. A obra testemunha igualmente a admiração que o compositor nutria por Johann Sebastian Bach, culto esse desencadeado por Felix Mendelssohn e pela sua irmã Fanny Mendelssohn, e provavelmente incutido por esta no compositor francês.

 

Pietro Mascagni (1863-1945) | Intermezzo

Pietro Mascagni foi o autor italiano da celebrada ópera Cavalleria Rusticana que lhe trouxe fama mundial depois de, com ela, ter ganho um concurso de óperas em um acto realizado em 1890. O enredo desta pequena ópera, passada na Sicília, fala de uma intriga amorosa que, devido ao ciúme, vai provocar um desfecho sangrento. A parte que se vai ouvir serve de interlúdio a duas cenas, criando um momento de suspensão que augura a calma que antecede a tormenta, ou o momento que precede o assassinato de um dos personagens.

 

Johann Sebastian Bach (1685-1750) | Andante (do Concerto n.º 1, em Lá Menor, BWV 1041)

Pensa-se que Johann Sebastian Bach terá escrito o concerto para violino, cordas e baixo-contínuo BWV 1041, a que pertence este Andante, por volta de 1730 quando se encontrava em Leipzig. Aos cargos que já ocupava, juntou, nesse período, o de director do Collegium Musicum, uma associação constituída por músicos profissionais e estudantes universitários, que participavam em regime de voluntariado em concertos públicos semanais. Este cargo dar-lhe-á oportunidade de regressar às suas composições instrumentais do período em que vivera ao serviço do príncipe Leopold de Anhalt-Cöthen. Os seus concertos para violino revelam a influência da escola italiana, em particular de Vivaldi, pela organização dos seus andamentos em rápido-lento-rápido, pela inclusão da forma ritornello e, pelo solista actuar como um elemento da orquestra que se destaca em vez de actuar como um virtuoso que é acompanhado pelo conjunto instrumental. O segundo andamento que se vai ouvir, contrasta com o primeiro e o terceiro pelo seu andamento e carácter emotivo, transmitido pela melodia cantante do violino em contraste com o motivo mais solene e repetitivo da linha do baixo.

 

Edward Elgar (1857-1934) | Salut d'Amour, op. 12

Edward Elgar foi compositor, violinista e organista, tendo sucedido ao seu pai neste último cargo por alguns anos. Composta em 1889, Salut d'Amour op. 12 surgiu como reacção a um poema escrito pela mulher que cortejava na altura e com quem veio a casar-se. Esta obra representa a típica peça de salão do século XIX.

Maria José Artiaga

 

Direcção Regional da Cultura - Açores
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